Terça-feira, 15 de Junho de 2010

... O Leão Curica ...

Algures na savana…

Era o fim da tarde! O sol preguiçoso já se preparava para dormir, mas ainda tingia o céu de uma cor avermelhada lindíssima. Toda a natureza também se aquietava dos barulhos diurnos e começava a ouvir os barulhos da noite que se aproximava. Há animais que só saem do torpor do dia longo e quente, à noite, para caçar.

Durante o dia, ou estão nas suas tocas, ou deitados à sombra das árvores e arbustos que lhes proporcionam um pouco de frescura. O calor de África é forte, o sol queima a valer e os animais têm que se proteger um pouco dele. Assim acontecendo também com o rei da selva e a sua família que, calmamente, esperavam a noite.

O filhote desta família, chama-se “Curica”, nome escolhido pela mãe leoa, que quando vai caçar, deixa-o entregue aos cuidados do pai leão. São uma família feliz e os papás leoninos só têm olhos para o filhote. Tratam-no com muito mimo. O Curica foi crescendo livre de qualquer tarefa, a mãe caçava e, portanto, tinha sempre que comer, não se preocupando com nada.

É errado, pois o Curica não estava preparado para qualquer contrariedade que surgisse no seu mundo animal, onde há muitos perigos, até em cada pezinho de capim. O tempo foi passando e o nosso Curica transformou-se num belo leão. Grande, possante, com uma juba lindíssima. Era o orgulho dos pais! Mas o que ele tinha de bonito, tinha de soberbo, arrogante e vaidoso.

Não ligava aos outros animais, amigos dos seus pais, sempre empertigado, soltando os urros de leão, para mostrar a sua superioridade aos outros. Tratava os pais com desprezo, dizendo que já eram velhos mas, entretanto, vivia à custa deles, pois nem sabia caçar e só se alimentava quando os pais caçavam para ele.

Dizia para si mesmo: ”eu sou o maior, o mais bonito, o rei da selva e todos os outros animais me devem respeito. Eu sou superior a todos”!!!... Enfim! Era de uma vaidade irritante. Ninguém, naquele recanto, gostava dele. Os pais viviam tristes e a pensar o que seria do filho quando eles morressem.

Um dia o pai leão já velhote, apanhou uma infecção numa pata e sem que alguém pudesse tratá-lo, morreu ao fim de uma semana. A mãe leoa, viu-se sozinha e sem o seu companheiro de toda uma vida. Ficou de tal maneira triste, que começou a definhar, até que numa madrugada cacimbada, também morreu.

 

O Curica ficou só. E agora? Quem irá caçar por ele? Não podia contar com nenhum animal naquele recanto, pois toda a vida os tinha tratado tão mal. Resolveu procurar outro sítio para viver, só que, também aí, não encontrou ninguém que o ajudasse.

Então o Curica pensou: “bem…tenho que aprender a caçar, senão morro à fome… mas que maçada”!.

Um dia mais tarde, viu um grupo de leoas atrás de uma gazela, numa grande corrida e quis fazer o mesmo. Só que, sem prática, tropeçou numa pedra, caiu e, ao mesmo tempo, conseguiu afugentar a presa. As leoas voltaram a atenção para aquele intruso que lhes tinha roubado a refeição desse dia e deram-lhe uma valente tareia.

O Curica todo ensanguentado pelas muitas mordidas das leoas, sozinho, escondido de todos, chorou amargamente a sua sorte.

Entretanto, ouviu uma vozinha de um rato a chamá-lo e a dizer-lhe que tivesse coragem para enfrentar o seu infortúnio e que aprendesse a defender-se e a procurar, ele próprio, a sua refeição.

O leão Curica olhou para aquele animal tão pequeno e insignificante, mas que lhe tinha dado uma grande lição de vida. Ficou arrependido por tudo que de errado tinha feito na vida e prometeu a si mesmo emendar-se. Tornar-se modesto e humilde e encarar todos os outros animais como  seres semelhantes a ele.

 

 

publicado por tiaGracinha às 18:48
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