Domingo, 6 de Junho de 2010

... O RATO DA CIDADE ...

Algures na cidade…

O rato Pimpão era um rato da cidade, pois então. Morava num bairro de vivendas, no centro da cidade barulhenta e, embora a sua casa, o seu buraquinho fosse na cave, ouvia todos os barulhos muito interessantes.

Os autocarros ao passarem na rua chiavam e faziam um som estridente dos travões. Os automóveis eram um vaivém constante, mais acentuado de manhã e ao fim do dia. Dos quintais de outras vivendas ouvia-se o ladrar dos cães, que não deixavam ninguém aproximar-se dos portões, sem que ladrassem até se cansarem.

Em frente à casa, havia uma escola primária e vinha de lá o sussurro de vozes infantis, gritos e risadas nos intervalos das aulas. Era agradável porque eram crianças a manifestar a sua presença mas incomodava o nosso pimpão e ele só pensava que precisava de sair dali e ir para o campo descansar do burburinho da cidade.

Tinha uma primo chamado Basílio eu vivia no campo e que de vez em quando o visitava e estava sempre ansioso por voltar para casa, pois não se dava bem com os barulhos da cidade. Ficaria à espera da visita dele e logo lhe perguntaria se podia ir viver com ele para o campo. E isso aconteceu.

Numa manhã de um Sábado primaveril, apareceu o Basílio, o primo desejado, que mais uma vez o vinha visitar e passar o fim-de-semana. Abraçaram-se como sempre e puseram-se na conversa, sempre interrompidos pelos barulhos da rua. Foi então que o Pimpão perguntou ao Basílio se podia ir com ele para o campo para o buraquinho dele.

O primo ficou satisfeito com esta vontade e logo combinaram, abalarem, mal acabasse o fim-de-semana. O rato Pimpão arranjou uma pequena trouxa para a viagem, não se esquecendo de ir à despensa buscar aquele queijo delicioso que lá existia sempre e na Segunda-Feira, logo muito cedo, lá foram os dois para o campo.

O Pimpão, antes de ir, olhou para trás uma vez para se despedir da única casa que tivera na sua vida. Mas ia aliviado, contente, feliz, porque poderia dormir as suas sonecas em paz, não apanharia sustos com o chiar dos travões e o ladrar dos cães, nem com o barulho das crianças. Correram pelos campos fora, inudados de um sol primaveril e o ar era leve, puro! O Pimpão estava deslumbrado com tanta verdura, tantas árvores e tantos cheiros novos.

Quando chegaram a uma clareira, já muito longe dos muros da cidade, o Basílio dirigiu-se para o tronco de uma árvore e disse ao primo que ali era a sua casa. Entraram e como estavam muito cansados da viagem, principalmente, o Pimpão, que não estava habituado a andar tanto, logo se deitaram e adormeceram de imediato. Na manhã seguinte, quando o Pimpão abriu os olhos, apanhou um grande susto por estar num sítio desconhecido, mas depressa se lembrou que estava no campo, na casa do primo Basílio.

Este, assim que viu o primo acordado, disse-lhe: “Anda, vem conhecer o meu mundo, vais gostar! Vou ensinar-te a apanhar uns bichinhos, porque aqui tem que ser assim, senão passas fome”. Lá foram os dois primos pelo campo fora e o Basílio sempre atento aos sons que os rodeava e, ao mesmo tempo, mostrando todos os recantos a primo citadino.

O Pimpão embora ainda estranho com o sítio, tudo ouvia e via com toda a atenção e sentia-se feliz. Foram até ao lago beber água pura e fresca e puderam ver patos que nadavam, pássaros que esvoaçavam e até viram um coelho a fugir apressado para a sua toca. Para o almoço o Basílio apanhou umas minhocas e o Pimpão achou o sabor delicioso, pois nunca tinha comido. E assim aquele primeiro dia no campo passou depressa e, à noite, regressaram ao tronco, à casa do Basílio.

Deitaram-se e começou o concerto em lá menor de toda a bicharada nocturna. A coruja dava pios arrepiantes, os grilos sacudiam os seus corpinhos e saía o seu cri-cri. Um lobo uivava. Ouvia-se, também, o vento nas árvores que assobiava dando música para quem quisesse. O Pimpão dava voltas e voltas sem conseguir dormir.

E assim foi, durante dias e noites seguidas e de manhã tinha que ir procurar comida. O Pimpão estava muito aborrecido e já com saudades do seu “sossego” da cidade… Uma manhã, em eu os dois primos procuravam minhocas, pressentiram uma sombra no ar. O Basílio logo se escondeu porque sabia tratar-se de uma águia, deixando o Pimpão sozinho. A águia dava voltas e voltas e sempre atenta ao ratinho. Este, muito assustado, deu uma grande corrida e lá se conseguiu esconder num buraco e livrar-se da morte certa, no bico da águia.

Ficou de tal maneira arrasado e assustado que resolveu voltar para o seu mundo na cidade. Preferia s barulhos desde que estivesse longe dos perigos do campo. Despediu-se do primo e abalou. Quando chegou ao seu buraquinho, na vivenda, respirou de alívio e nunca mais abandonou  aquele mundo.

 

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publicado por tiaGracinha às 20:03
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